A saga de um brasileiro sem experiência na busca pelo primeiro emprego

Realmente estou cansado de correr atrás. Desde que me formei em 2007 corro atrás do meu primeiro emprego e até agora só tive decepções. Currículos entregues? Entrevistas? Já perdi a conta.

 

(Inicialmente essas duas frases ficavam no fim do texto, mas como o objetivo é ser bem direto, as coloquei aqui para facilitar a vida de todo mundo):

Aos curiosos de plantão: Só quero frisar que não abri esse canal para perder tempo, muito menos para fazer alguém perder seu tempo. Isso não é nenhum tipo de brincadeira ou algum tipo de site viral.

Aos possíveis empregadores: Na aba "FAQ" estão algumas perguntas que deverão de modo superficial traçar o tipo de pessoa que eu sou, se achar que é interessante pode entrar em contato com suas perguntas, posso fazer um tipo de pré-entrevista por telefone, se tudo se encaminhar vou até a cidade onde a vaga está disponível para uma entrevista presencial sem problemas.

 

 

BREVE RESUMO DA HISTÓRIA

No começo deste ano larguei de lado a minha formação e fui atrás de algo mais genérico, resultado? Nada. Hoje (3 de Agosto de 2009) voltei de uma entrevista para o cargo de assistente administrativo, peguei a papelada no SINE, segundo o empregador os únicos pré-requisitos eram ensino médio e carteira de habilitação ‘B’. Chegando lá, passo o currículo para análise, ele olha e vem com a pergunta derradeira: “já trabalhou nessa função?” A pergunta era retórica, é claro, afinal de contas, se eu tivesse trabalhado colocaria no currículo.

 

Algum tempo atrás fiz uma entrevista para um cargo que nem exigia ensino médio completo, a pessoa que fez a entrevista disse ao final que de fato eu poderia trabalhar ali, mas – sempre tem o mas – devido ao fato de ter nível superior entendia que a vaga estava muito aquém do que o que eu deveria procurar. Talvez essa pessoa até tenha alguma razão, mas como o objetivo atual é me empregar em algo, não dá pra ficar escolhendo, além do que, se achasse algum empecilho na vaga nem teria me candidatado.

 

Sinceramente, hoje vejo que estudar nem sempre vale a pena, estudei 16 (1ª série-graduação) anos seguidos para quê? Para nada. Certa vez estava na casa de um amigo, cujo pai tem a quarta série primária e em menos de 10 anos passou de caminhoneiro a uma pessoa muito bem de vida financeiramente, o que ele fez? Estudou? Óbvio que não, botou a mão na massa. Esse senhor mesmo disse várias vezes que não entendia para que a gente estudava tanto, hoje vejo que realmente a experiência de vida dele é que estava certa.

 

Já pensei em fazer uma pós-graduação, mas seria suficiente? Eu acredito que não, primeiro porque vai entrar a questão da experiência profissional, segundo porque isso traz consigo a necessidade de mais um gasto, que sinceramente, não estou disposto a ter nesse momento. Até penso em fazer um MBA, mas só depois de ter certeza que vou aproveitá-lo no meu trabalho.

 

Qualquer um que coloque na ponta do lápis o que gastou (ou que seus pais gastaram) com educação e o que isso retorna em forma de rendimento, vai ver que, com raras exceções, é o mesmo que rasgar dinheiro. E aqui não estou falando apenas de quem usa a rede privada de ensino (seja ensino fundamental, médio ou superior), pois quem chega ao ensino superior, mesmo que em uma universidade, como gostam de dizer ‘pública, gratuita e de qualidade’ – mas que hoje em dia se resume a só pública mesmo – tem inúmeros gastos, que, é claro, variam de acordo com o curso.

 

Meus cálculos, por baixo, dizem que meus pais investiram (se bem o correto seriam gastaram, já que investimento trás a idéia de que haverá um retorno, coisa que até agora não ocorreu) algo em torno de R$40 mil com a minha educação. Supondo que eles tivessem depositado na poupança esse valor em 1º de janeiro de 1991 e tivessem sacado em 1º de janeiro de 2007, eu teria algo em torno de R$120 mil na mão, claro, estou desconsiderando o fato de nesse meio tempo o país ter mudado de moeda duas vezes e também não sei quando começou a vigorar a regra de 0.5% + variação da TR para a poupança (no cálculo não levei em conta a variação da TR).

 

O que isso tudo prova? Que investir em (ou gastar com) educação no Brasil é um péssimo negócio.

 

 

COTIDIANO

O fato é que, como disse, cansei. O resumo do que faço de segunda a sexta é:

 

6:30 » acordo

8:00 » Já estou no SINE

+-10:00 » Já passei pelo SINE e fico aguardando o horário das entrevistas (quando marcadas pro mesmo dia)

+-18:00 » Já fui as entrevistas marcadas e soltei uns currículos em algumas empresas ‘avulsas’, vou para a biblioteca de uma universidade daqui, ler jornais e passar o tempo

21:00 » Saio da biblioteca, pois ela fecha nesse horário, volto para casa

22:00 » Chego em casa vou pesquisar na internet por vagas e imprimir mais umas cópias do currículo para o dia seguinte

 

No sábado e em alguns domingos pelo menos faço trabalho comunitário, são os únicos dias que faço algo de útil, na verdade o trabalho comunitário chega a ser engraçado, pois ele é mais útil para mim do que para as pessoas, posto que são os únicos dias que eu vejo alguma justificativa para todo o meu estudo. No domingo, quando não estou fazendo algum trabalho comunitário, saio de manhã, vou para o campus da universidade onde tenho amigos, fico esperando o tempo passar, para voltar só à noite pra casa.

 

Como se percebe, prefiro ficar o mínimo possível em casa, já que na minha concepção só a situação em si já é vergonhosa, logo, pelo menos não estando em casa, eu não fico vendo os meus pais e isso dá certo alívio. Mas vale salientar que eles não falam nada, já que sabem que eu não estou nessa situação porque quero.

 

 

ALTERNATIVAS

A primeira alterava que eu achei até agora é largar tudo de mão e partir para os concursos públicos. Na verdade, meu pai e boa parte dos meus parentes são servidores públicos. Qual o problema? Além de todo o gasto com a educação que iria ralo abaixo, a carreira pública nunca me chamou a atenção, pois a falta de perspectiva de crescimento é totalmente desanimadora. Claro, você tem a estabilidade e grana certa, mas é só também. A segunda alternativa é arrumar uma namorada filha/neta de algum deputado/senador e pedir um cargo lá por Brasília (um pouco de humor não faz mal a ninguém).

 

 

C’est fini

O objetivo disso tudo não é só falar um pouco do que todo mundo já sabe, já que eu sei que faço parte da regra e não da exceção no Brasil. Quero através desse pequeno texto, abrir mais um canal para a busca pelo meu primeiro emprego.

 

Não vou publicar meu currículo com dados pessoais aqui por motivos óbvios, quem achar que eu posso me encaixar em alguma vaga que você possa ter em aberto, entre em contato. É bom salientar que moro no Rio Grande do Sul, mas posso ir para qualquer lugar do Brasil (e isso não está ligado a parte financeira, o que quero é a oportunidade de finalmente demonstrar do que sou capaz).